O Grande Prémio de Barcelona, 5.ª prova do Mundial de Fórmula 1 deste ano, resultou em excelente operação para a Red Bull. A equipa patrocinada pela empresa das latinhas de bebida energética regressou às vitórias depois de um pousio de 21 meses e a proeza teve o intérprete ideal. O miúdo Verstappen estreou-se ao volante do carro que estava entregue a Daniil Kvyat e, aos 18 anos e 227 dias, fez história: tornou-se no mais jovem piloto de sempre a ganhar uma corrida de Fórmula 1. Tudo está bem quando acaba bem, certo?
Acontece que as circunstâncias desta vitória foram muito particulares e do 1.º lugar no circuito de Montmeló não é possível concluir que o campeonato entrou em nova fase. Aliás, se não houvesse a autoeliminação dos dois pilotos da Mercedes, a dúvida maior passava apenas por saber qual deles chegaria primeiro à bandeira xadrez. Mas as corridas têm, como todos sabemos, a dose certa de imponderáveis – servida desta vez naquele incidente entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg.
Os mais pragmáticos dirão que Max Verstappen ‘só’ ganhou porque estava no local certo à hora certa. Coisa que o russo Daniil Kvyat, despromovido à Toro Rosso depois do lance ‘carrinhos de choque’ com Sebastian Vettel, veio lembrar. Do género: ‘se eu lá estivesse, também ganhava’. Ora é exactamente aqui que mora o ponto da discórdia.
A bonita aventura de ‘Super’ Max não aconteceu apenas porque os dois Mercedes foram das couves à gravilha. Ela foi realidade porque a equipa percebeu que, confiando nas capacidades do miúdo, tinha ali oportunidade dourada para… garantir máximo retorno ao sr. Mateschitz, o patrão. E, por isso, não houve dúvidas: Ricciardo acabou em 4.º, alvo de estratégia de paragem nas boxes que não o beneficiou. E Verstappen ganhou porque fez tudo bem, até resistir ao Ferrari de Kimi Raikkonen. Mas e se naquele Red Bull estivesse, como estava no mês passado, Kvyat? Bom, arriscamos no triunfo de Daniel Ricciardo. Ou mesmo de um dos Ferrari.